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Redação Invesfera
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Apostar o Ibovespa no vencedor do segundo turno é má carteira, não estratégia

Gestores veem queda de mais de 5% se Lula vencer e rali mais longo se Flávio Bolsonaro ganhar. Com o dólar abaixo de R$ 5, a aposta unilateral no segundo turno parece armadilha.

Publicado
24 de outubro de 2026
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Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC0)

Quando quase todo mundo concorda sobre o rumo que o mercado vai tomar depois de uma eleição, o que sobra para ganhar quem acerta? Essa é a pergunta incômoda que paira sobre a Bolsa brasileira na véspera do segundo turno de domingo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.

O que o mercado já está dizendo

Os ativos brasileiros subiram na sexta-feira, 23 de outubro. O Ibovespa avançou 0,47%, a 205.083 pontos, embora ainda tenha encerrado a semana com queda de 0,17%, e o real fechou a R$ 4,9654 por dólar, abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde 12 de outubro. Os mercados de previsão, que são apostas e não pesquisas, dão a vitória de Bolsonaro em cerca de 77% a 84%, conforme o momento. Já as pesquisas mostram um cara ou coroa: um levantamento da AtlasIntel citado pela Bloomberg trazia 51% para Bolsonaro e 49% para Lula, dentro da margem de erro.

As expectativas para o day after são desequilibradas. Segundo uma pesquisa divulgada pela CNN Brasil, 79,5% dos investidores esperam que o Ibovespa caia mais de 5% se Lula vencer. A Folha informa que gestores veem na vitória de Bolsonaro a possibilidade de prolongar o rali. Separadamente, o Safra elevou sua meta para o Ibovespa a 260 mil pontos até o fim de 2027, o que o Investidor10 calcula como potencial de alta de 27,4%.

A assimetria é o sinal de alerta

Olhe esse cenário como uma operação. O mercado já subiu forte: o Ibovespa saltou 7,7% para um recorde em 5 de outubro, sua maior alta em um dia em mais de seis anos, depois de Bolsonaro terminar em primeiro no primeiro turno. Boa parte das boas notícias já está no preço. O ganho com uma vitória de Bolsonaro é um rali que pode simplesmente durar mais, enquanto o risco com uma vitória de Lula é uma queda forte. Na nossa avaliação, é um retorno ruim para quem aposta tudo no provável vencedor: você ganha um extra modesto se o consenso estiver certo e absorve uma perda rápida se estiver errado.

E "provável" não é "certo". Uma probabilidade de mercado de cerca de 80% ainda deixa uma chance em cinco para o outro desfecho, e as pesquisas apontam algo bem mais próximo do empate. Quem trata o favorito como página virada está confundindo preço com resultado.

Dólar abaixo de R$ 5 é otimismo, não segurança

O câmbio conta a mesma história. O real se valorizou 1,57% na sexta-feira, e o dólar já havia caído por três pregões seguidos no início da semana. Um real mais forte também eleva o valor em dólares dos ativos brasileiros para investidores americanos, o que embeleza os retornos recentes. Mas, como observa o próprio Rio Times, movimentos movidos pelo posicionamento eleitoral podem se reverter rápido, e um fechamento de volta acima de R$ 5 sugeriria que os investidores estão se protegendo. Acrescentamos que comprar depois que a moeda já embutiu um resultado favorável é correr atrás do preço, não é análise.

Até o cenário favorável depende de condições. Os investidores veem Bolsonaro como mais propenso a cortar gastos, mas ele ainda não apresentou planos detalhados, e, como lembra a Trading Economics, as dúvidas sobre a disciplina fiscal persistem. A própria meta de 260 mil pontos do Safra depende de juros mais baixos e de um prêmio de risco menor, e o banco aponta o risco fiscal como um obstáculo. Enquanto isso, a inflação do IPCA-15 em 12 meses subiu a 4,62%, então cortes de juros não estão garantidos. Uma meta para o fim de 2027 também é uma projeção, não uma promessa.

O que um investidor sensato faz com isso

Nada disso é recomendação personalizada, e a situação, o horizonte de tempo e as regras tributárias de cada um são diferentes. Mas a lógica vale em geral. Se a sua exposição ao Brasil foi dimensionada para uma década, o resultado de domingo mal deveria alterar o plano; uma oscilação de 5% em uma semana, para qualquer lado, é volatilidade, não um veredito sobre a trajetória fiscal do país. Se uma vitória de Lula realmente arruinaria suas finanças, a posição já é grande demais. Se você está tentado a comprar mais na segunda-feira porque o favorito ganhou, lembre-se de que o rali começou bem antes.

Nosso veredito: trate o segundo turno como ruído para a alocação de longo prazo e como um exercício de dimensionamento de risco no curto prazo. Rebalanceie em datas programadas, não por manchete, tenha o risco cambial em mente e não deixe que uma meta de 260 mil pontos ou um preço de aposta acima de 80% substituam a diversificação. O mercado está precificando uma história favorável que ainda precisa ser governada.

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