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Carteira recorde da Lockheed prova demanda, ainda não lucro

Uma carteira de pedidos de US$ 292 bilhões mostra que o gasto em defesa é duradouro. Não diz com que rapidez isso vira caixa, nem se a ação já embute essa expectativa.

Publicado
22 de outubro de 2026
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Uma carteira de pedidos de US$ 292 bilhões é uma previsão do futuro ou apenas um número muito grande? Para a Lockheed Martin, é as duas coisas, e os investidores que as confundem são os mais propensos a se machucar.

Em 22 de outubro, a Lockheed informou vendas de US$ 20,7 bilhões no terceiro trimestre, alta de 11%, e lucro líquido de US$ 1,845 bilhão, ou US$ 7,97 por ação diluída. A carteira de pedidos chegou a um recorde de US$ 292,0 bilhões, 27% acima do segundo trimestre, incluindo US$ 52,5 bilhões ligados a um contrato plurianual de interceptadores PAC-3. A empresa elevou sua projeção para 2026 pelo segundo trimestre seguido, segundo o resumo do comunicado feito pelo StockTitan: vendas de cerca de US$ 80 a 82 bilhões, lucro por ação de US$ 30,35 a 30,75 e fluxo de caixa livre de US$ 7,8 a 8,0 bilhões.

A carteira é a evidência mais forte até agora de que o rearmamento não é passageiro

No trimestre passado, a carteira era de US$ 230 bilhões. Desde então, saltou cerca de US$ 62 bilhões, e US$ 52,5 bilhões vêm só do contrato do PAC-3. O recorde anterior fora construído sobre outro gigantesco acordo plurianual de munições, o contrato de US$ 35 bilhões do THAAD com a Agência de Defesa de Mísseis. Contratos assim não são compras por impulso. Governos assinam acordos plurianuais quando esperam continuar comprando.

Por isso achamos que a tese da "demanda estrutural" está em boa parte certa. Os clientes são governos e, como disse a TradingKey em julho, raramente cancelam contratos vigentes. Uma carteira de cerca de 3,6 vezes as vendas anuais, pela projeção de US$ 80 a 82 bilhões, dá uma visibilidade incomum para quase qualquer setor. Se você acredita que os orçamentos de defesa continuarão elevados, é assim que essa crença aparece em um balanço.

Mas "estrutural" é uma afirmação sobre demanda, não sobre retorno ao acionista. São coisas diferentes.

Uma carteira é a promessa de trabalho, não a de receber em dia

Este é o detalhe que a manchete deixa de lado. No mesmo trimestre em que as vendas subiram 11% e o lucro 14%, o fluxo de caixa operacional caiu para US$ 3,438 bilhões, de US$ 3,728 bilhões, e o fluxo de caixa livre recuou para US$ 2,999 bilhões, de US$ 3,347 bilhões. A projeção de caixa para o ano, elevada, continua animadora, mas o trimestre andou na direção oposta.

O contexto também importa. A comparação de caixa do trimestre passado parecia espetacular, US$ 2,9 bilhões contra US$ 150 milhões negativos um ano antes, mas a Lockheed atribuiu a virada principalmente ao calendário de recebimentos de clientes e a menores pagamentos de impostos, e o trimestre do ano anterior foi pressionado por US$ 1,6 bilhão em perdas com programas. Comparações fáceis favorecem as taxas de crescimento. Trataríamos parte da melhora anual como efeito de base.

Há ainda o F-35. A empresa alertou que os custos do lote 20 passaram a superar o financiamento autorizado, com possíveis efeitos financeiros negativos se não vierem mais autorização e recursos. Na nossa avaliação, uma carteira tão grande também significa muito risco de execução: a produção de munições precisa acelerar, e novas parcerias, como as com a GM Defense e a Rheinmetall, precisam entregar. As perdas antecipadas de 2025 lembram que um contrato assinado ainda pode dar prejuízo.

O mercado já pagou pelas boas notícias, então a questão é o preço

No dia do balanço, as ações subiam 3,60%, a US$ 571,35, em negociação com atraso e volume alto. Em julho, a TradingKey observou que o papel havia saltado mais de 5% após o balanço e estava tecnicamente sobrecomprado. Parece-nos que a ação continua sendo premiada exatamente por essa história.

Não vamos dizer se US$ 571 é barato ou caro; não temos um múltiplo de valuation confiável a oferecer, e chutar seria injusto com você. O que podemos oferecer é o método. Pegue o ponto médio da projeção, US$ 30,55 de lucro por ação, calcule você mesmo o múltiplo e compare com a sua visão de quanto tempo o crescimento dura.

Nosso veredicto: acredite na demanda, audite a conversão em caixa

A carteira é o melhor argumento de que o gasto em defesa é um ciclo de vários anos, e não um pico movido por manchetes. Nada neste relatório enfraquece isso. Mas, para o investidor, três pontos merecem mais atenção que o número recorde: se o fluxo de caixa livre continua acompanhando a meta elevada de US$ 7,8 a 8,0 bilhões, se a lacuna de financiamento do F-35 será resolvida e se o preço da ação deixa alguma margem para decepção.

Na nossa visão, se você já tem Lockheed por meio de um fundo diversificado, este relatório é motivo de calma, não de ação. Se pensa em comprar depois da alta, lembre-se de que a grande visibilidade de receita pode já estar no preço. Isto é análise, não recomendação personalizada, e o desempenho passado não promete retornos futuros. O rearmamento pode muito bem ser permanente. O seu preço de entrada não é.

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