Rodada menor da OpenAI é um alerta para as avaliações privadas de IA
A OpenAI estaria buscando US$ 20 bilhões em vez de US$ 30 bilhões, com avaliação menor. Não é um colapso, mas lembra que as avaliações privadas de IA são preços negociados, não fatos.
Imagem gerada por IA
Quanto vale uma empresa de US$ 1,25 trilhão quando os investidores hesitam em pagar US$ 1,4 trilhão? Essa é a pergunta escondida na notícia mais recente sobre a captação da OpenAI, e ela é mais útil do que o número da manchete.
Eis o que foi noticiado. Segundo o Financial Times, reproduzido pelo The Economic Times, a OpenAI reduziu em US$ 10 bilhões a meta de sua rodada mais recente. Outras reportagens sobre a mesma matéria dizem que ela agora busca US$ 20 bilhões com avaliação de US$ 1,25 trilhão, contra US$ 30 bilhões a US$ 1,4 trilhão antes. A Benzinga relaciona a mudança a uma ampla liquidação de ações de tecnologia, que aumentou a preocupação dos investidores com os gastos em IA, e outra reportagem cita a relutância de alguns investidores.
Uma ressalva: trata-se de uma reportagem sobre o que a empresa busca, não de um acordo fechado. Ela descreve uma meta reduzida, não uma rodada concluída que ficou aquém, e os números ainda podem mudar.
Um corte de 11% é pequeno. O sinal, não
Vamos manter a perspectiva. Ir de US$ 1,4 trilhão para US$ 1,25 trilhão é um corte de cerca de 11% pelas nossas contas, e a empresa ainda busca uma quantia enorme. Ninguém deveria chamar isso de colapso.
Mas a direção importa mais do que o tamanho. Quando uma empresa dessa escala ajusta o valor e o preço ao mesmo tempo, isso sugere que quem dita as condições são os compradores, não o vendedor. Avaliações privadas não são cotadas a cada segundo como uma ação. Elas resultam de uma negociação entre poucos grandes participantes e só são testadas quando surge uma nova rodada. Esta está sendo testada, e a primeira resposta parece ser "um pouco menos, por favor".
Na nossa visão, essa é a leitura saudável: não é pânico, é reprecificação. O incômodo é o quanto a história da IA depende da premissa de que cada rodada precisa superar a anterior.
A janela se estreita para muitos, mas não se fecha para poucos
Seria preguiçoso dizer que o dinheiro abandonou a IA. A Cohere anunciou o fechamento inicial de uma Série E que mira até C$ 7 bilhões, com avaliação de C$ 35,7 bilhões, e cita um crescimento de 165% ao ano na receita recorrente. A Baseten, segundo uma manchete da EconoTimes, busca US$ 2 bilhões com avaliações de até US$ 30 bilhões.
Olhe o que diferencia essas histórias. A Cohere aponta o crescimento da receita e uma base de 300 clientes. O argumento é tração, não apenas promessa. Em nossa opinião, é para lá que a janela caminha: para empresas que conseguem mostrar receita ao lado da narrativa, e para longe das avaliações que dependem de a próxima rodada ser maior.
A situação da própria OpenAI é um paradoxo útil. O 01net informa que ela suspendeu em 10 de setembro novas assinaturas do plano Pro 200 porque não conseguia atender à demanda, e agora dobrou os limites de uso dos planos superiores. A demanda não parece ser o ponto fraco. Atendê-la provavelmente custa caro, e supomos que é isso que os investidores estão pesando: um negócio em crescimento e, muito provavelmente, faminto por capital.
O que um investidor cauteloso deve tirar disso
Primeiro, trate as avaliações privadas de IA como estimativas. Uma avaliação definida em uma rodada é um preço acordado num momento, entre poucas partes, com fortes incentivos dos dois lados. Não é um consenso de mercado.
Segundo, se você tem exposição a IA por meio de fundos abertos, olhe o que há por baixo. Alguns fundos e veículos listados podem ter participações em empresas privadas, avaliadas por modelos e pelos preços da última rodada, e não por negociação diária. Não dá para dizer, pela documentação, quais produtos são afetados; portanto, é uma pergunta a fazer, não uma afirmação: como a parte privada é avaliada e com que frequência é atualizada?
Terceiro, separe a tecnologia do preço. Forte demanda por um produto diz algo sobre sua adoção. Não diz nada sobre se US$ 1,25 trilhão, ou US$ 1,4 trilhão, é o valor certo. Um ótimo produto ainda pode ser uma ação cara, ou uma participação privada cara.
Nosso veredito: este não é o fim do boom de captações em IA, e não o leríamos como sinal de crash. É um choque de realidade. Empresas com receita em ritmo forte provavelmente continuarão encontrando capital; as precificadas pelo embalo da própria rodada tendem a ter uma conversa mais difícil. Se você tem exposição a IA, a resposta sensata não é fugir, mas saber exatamente o que possui, como é avaliado e quanto da sua carteira depende de o próximo investidor concordar em pagar mais. Isso é raciocínio geral, não recomendação personalizada.
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