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Redação Invesfera
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A promoção do Vietnã é uma porta, não uma tese: as reformas decidem quem entra

A reclassificação da FTSE Russell leva dinheiro dos índices ao Vietnã quase de forma automática, mas investidores estrangeiros seguem vendendo. O capital duradouro dependerá das reformas.

Publicado
31 de outubro de 2026
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Foto: Tran Van Ngoc / Wikimedia Commons (CC0)

Como chamar uma promoção que chega justamente quando os investidores estrangeiros continuam rumo à saída? No caso do Vietnã, é um lembrete de que o rótulo de um índice não é uma tese de investimento.

Veja o que aconteceu. A FTSE Russell passou o Vietnã de mercado de fronteira para mercado emergente secundário, com vigência a partir de 21 de setembro de 2026, segundo a explicação da Acclime. A mudança vem após anos de reformas no mercado e na infraestrutura. Ela dá aos fundos globais de mercados emergentes um motivo, atrelado ao índice de referência, para ter ações vietnamitas.

Mesmo assim, como noticiou o Tuoi Tre a partir de um fórum de mercado de capitais em 30 de outubro, os investidores estrangeiros continuavam vendedores líquidos de cerca de US$ 4,8 bilhões entre janeiro e outubro, e a liquidez diminuiu. É esse o cenário incômodo para a comemoração.

O dinheiro passivo é real, mas é a parte pequena

Os fluxos mecânicos são a parte fácil. Os fundos de índice compram o que o índice manda comprar. As estimativas colocam os aportes passivos em cerca de US$ 1 bilhão, segundo uma nota da VinaCapital, e em até US$ 1,2 bilhão, segundo o HSBC. São projeções, não resultados.

A VinaCapital espera mais US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões em fluxos ativos, num total de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões, e observa que mesmo esse total pode não parecer relevante diante de um mercado cujo volume diário negociado gira em torno de US$ 1 bilhão. Ou seja, a promoção é um bom vento a favor, não uma maré. Na nossa visão, quem comprou a história de que "bilhões vão entrar automaticamente" leu a manchete e pulou as notas de rodapé.

Wanming Du, da própria FTSE Russell, resumiu a lógica com clareza no fórum: os fundos passivos alocam recursos conforme o peso do Vietnã nos índices de mercados emergentes, e esses aportes continuam enquanto o peso e o número de empresas incluídas se mantiverem. Em outras palavras, o dinheiro segue o índice, e o índice segue a profundidade do mercado. O rótulo define o peso inicial. Não o faz crescer.

As marés globais explicam as vendas, mas não as justificam

Há uma defesa razoável da fraqueza atual. Tran Hoang Son, da VPBank Securities, argumentou que o capital foi atraído para mercados muito ligados à IA em 2025, ano em que cerca de US$ 5,2 bilhões saíram do Vietnã. Em 2026, segundo ele, o conflito no Estreito de Ormuz e o choque no preço do petróleo elevaram os juros globais e inverteram os fluxos. Ele também observou que o VN-Index se manteve resiliente apesar das vendas pesadas.

É uma leitura razoável e diz algo útil: a promoção não isola o Vietnã do ciclo global. Mas acrescentaríamos um ponto menos confortável. As condições globais podem explicar por que o dinheiro saiu. Não explicam por que ele voltará. Para isso, os investidores precisam de motivos específicos do Vietnã, e esses motivos são, em sua maioria, reformas.

O teste de verdade é pouco glamouroso: limites de participação, governança, profundidade

Du citou a lista nada glamourosa. As restrições à participação estrangeira prejudicam o acesso e também seguram o peso das ações vietnamitas. O mercado precisa de mais listagens de qualidade em mais setores, não apenas de grandes empresas. Também precisa de uma base institucional doméstica mais forte, como fundos de pensão e seguradoras, para fornecer capital paciente.

O regulador parece concordar. Vu Chi Dung, da Comissão Estatal de Valores Mobiliários, disse que o órgão prioriza acesso ao mercado, transparência e infraestrutura, com a meta de cumprir os critérios de promoção da MSCI até 2030. Um passo concreto: segundo um cronograma de 2025, grandes empresas de capital aberto devem divulgar informações em inglês. É pouco, mas revelador.

A experiência da Coreia do Sul, relatada no fórum por um representante do consulado, é o exemplo ao mesmo tempo de alerta e de esperança. Seul trabalhou para reduzir conflitos entre acionistas controladores e minoritários para superar o "desconto Coreia". A lição para o Vietnã, na nossa visão, é que a governança é o que transforma um mercado barato em um mercado confiável. Dominic Scriven, da Dragon Capital, destacou o ponto da concorrência: os mercados emergentes disputam todos o mesmo capital internacional, e o Vietnã avançou mais do que alguns de seus pares.

O que faríamos com isso

Nosso veredicto: a promoção é um marco genuíno e merecido. Mas é um ingresso de entrada, e o comportamento do mercado neste ano sugere que ingressos, sozinhos, não enchem as cadeiras. Os leitores devem tratar o rótulo como um dado entre vários e buscar evidências: limites de participação mais flexíveis, novas listagens que ampliem o índice e fluxos estrangeiros que deixem de ser venda líquida. Nada disso está garantido, e o momento é incerto.

Isto não é recomendação personalizada, e as regras e os impostos locais variam de país para país. Como referência, porém, a ideia é simples. Não compre um país porque um provedor de índices mudou uma categoria. Compre, ou não, porque as empresas de lá estão ficando mais transparentes, mais investíveis e mais acessíveis. O Vietnã abriu a porta. Se o capital fica ou não é tarefa para os próximos anos de reformas.

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