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Redação Invesfera
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A farra de IA da Big Tech encerra a era das recompras: avalie o crescimento

A Big Tech devolve a menor fatia do seu caixa em pelo menos 15 anos porque os investimentos em IA o consomem primeiro. Olhe para crescimento e fluxo de caixa livre, não para proventos.

Publicado
1 de novembro de 2026
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Imagem gerada por IA

Como chamar uma empresa que antes devolvia cerca de um quarto do seu caixa operacional e agora devolve menos de um décimo? Não necessariamente uma empresa ruim. Uma empresa que mudou de ideia sobre quem recebe primeiro.

Essa é a história por trás dos dados mais recentes. Segundo uma análise do Yahoo Finance, as cinco grandes gastadoras devolveram apenas 9,3% do fluxo de caixa operacional em dividendos e recompras, ante 27,4%. É a menor fatia em pelo menos 15 anos. Separadamente, dados extraídos de documentos regulatórios e compilados pela Axis Intelligence indicam que Alphabet e Meta recompraram US$ 0 em ações no primeiro semestre de 2026, para financiar o capex em IA.

O dinheiro foi para os gastos com IA. A Platformonomics calcula que Amazon, Google, Microsoft e Meta gastaram mais de US$ 210 bilhões no terceiro trimestre, alta de 84% em relação a um ano antes. O trimestre da Alphabet mostra como isso se traduz na prática: a CNBC informa fluxo de caixa livre negativo de US$ 9,07 bilhões, com receita e lucro abaixo das expectativas de Wall Street.

A recompra nunca foi o produto

Por uma década, parte importante do discurso da Big Tech foi silenciosa: essas empresas geram tanto caixa que conseguem financiar o futuro e, ao mesmo tempo, reduzir o número de ações. As recompras viraram um cobertor de segurança. Na nossa visão, mesmo quando o crescimento esfriava, a ação tinha um piso de demanda corporativa por baixo.

Acreditamos que esse piso agora é mais fino, e isso não é um escândalo. É aritmética. A análise da Epoch AI sobre documentos enviados à SEC, resumida pelo Let's Data Science, conclui que o capex em IA das hiperescaladoras cresce cerca de 70% ao ano, contra algo como 23% de crescimento do fluxo de caixa. Duas linhas assim se cruzam. O mesmo resumo afirma que o fluxo de caixa livre chega a aproximadamente zero por volta do terceiro trimestre de 2026 e que a Oracle já está no negativo. Uma empresa não pode devolver um caixa que não tem e, em nossa opinião, não deveria se endividar para recomprar ações enquanto corre para construir capacidade.

Portanto, a pergunta real não é "por que pararam?", e sim "por que alguém esperava que continuassem?". O retorno ao acionista parece um subproduto de uma era com pouco capital. Esta é uma era de muito capital.

Agora o crescimento tem de pagar a conta

Se os proventos saem da mesa, as ações vivem ou morrem conforme os gastos rendam algo. As evidências até agora são mistas, e esse é exatamente o ponto. Um resumo de terceiros do trimestre da Alphabet, da Nexuswild, indica receita de US$ 127,6 bilhões, alta de 25%, e receita do Google Cloud mais que dobrando, para US$ 30,7 bilhões. Também aponta capex de US$ 51,4 bilhões e diz que as ações caíram 10%, com o capex e o fluxo de caixa livre negativo ofuscando o crescimento da nuvem. Crescimento forte, e as ações caíram mesmo assim, em um trimestre em que receita e lucro também ficaram abaixo do esperado.

Essa reação mostra como o mercado parece ter se reprogramado. Manchetes dos últimos dias, como a da Moneycontrol sobre as preocupações com os gastos em IA que aprofundam a queda em Wall Street, mostram investidores pedindo provas, não promessas. Diríamos que isso é saudável. Pagar um múltiplo premium por uma empresa que gasta mais do que gera e já não devolve caixa exige outro tipo de dever de casa.

Tenha essas ações pelo crescimento que dá para ver, não pelos proventos

Nossa visão, que é uma opinião e não uma recomendação: pare de ler índices de distribuição como sinal de qualidade nessas empresas. Um número baixo de recompras hoje pode ser sinal de ambição, não de fraqueza. Um número alto, numa empresa sem retorno visível da IA, pode ser o sinal mais preocupante.

Três perguntas valem mais que o rendimento. A receita está acelerando nos negócios que o capex pretende alimentar, como a nuvem? O fluxo de caixa livre está chegando ao fundo do poço ou continua caindo? E a gestão é disciplinada, com projeções que cumpre, ou o valor dos gastos não para de subir?

Há também um contraponto incômodo. Algumas dessas empresas podem estar construindo capacidade à frente de uma demanda que chega tarde, ou que nunca chega à escala esperada. Ninguém sabe dizer ainda qual é o caso. Por isso o risco fica com os acionistas, a quem, na prática, se pede que financiem a aposta abrindo mão de retorno.

O veredito: a era das recompras da Big Tech provavelmente não morreu para sempre, mas parece estar em pausa, e essa pausa é o preço da estratégia de IA. Se você tem essas ações, tenha-as pelo crescimento que dá para ver nos números da nuvem e por uma tendência de fluxo de caixa livre que se inverta, não por um hábito de distribuição que acabou de ser reescrito. Se você deve ou não tê-las depende da sua situação e da sua tolerância a risco, e isso uma coluna não consegue resolver.

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