Mais uma alta do Fed é o cenário-base, mas não aposte em um platô tranquilo
O mercado espera mais uma alta do Fed em dezembro, mas dois dirigentes já pedem mais; quem poupa deve planejar um platô que pode ser rompido.
Foto: AgnosticPreachersKid / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
O ciclo de altas do Fed está a um passo do fim ou só está tomando fôlego? A resposta honesta é que os dirigentes do Fed não concordam, e essa divergência importa mais para o seu plano de poupança do que qualquer previsão isolada.
A leitura do mercado é que vem mais uma alta. O Fed manteve os juros em 3,75%-4% em 28 de outubro em votação de 10 a 2, com a diretora Lisa Cook e a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, votando contra, a favor de uma alta. Os operadores agora atribuem a um aumento de um quarto de ponto na reunião de 8 e 9 de dezembro uma probabilidade de cerca de 70% a 76%, dependendo do indicador.
É aqui que a história arrumada do "mais uma e acabou" se complica. Em até 48 horas depois da manutenção, a presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, disse que o comitê precisa de pelo menos mais duas altas de 25 pontos-base antes de fazer uma pausa. O presidente do Fed de St. Louis, Alberto Musalem, disse que "um aperto adicional da política monetária será necessário, e logo". Logan tem direito a voto neste ano. Ou seja, o platô é uma previsão, não um plano.
O platô é o desfecho mais provável, mas não o mais seguro
Acreditamos que "mais uma e acabou" é razoável como cenário-base, e os motivos têm mais a ver com a velocidade do que com a direção. O presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, disse que a direção é "bem clara", mas que a questão é o ritmo, e que o Fed sinalizou uma abordagem gradual. Até os falcões descrevem um destino com ponto de parada. Logan falou em fazer uma pausa depois de suas duas altas. Isso não é um ciclo sem fim.
Mas "alto e estável" só é confortável se a inflação colaborar, e os dados dão poucos motivos para relaxar. A inflação PCE de setembro ficou em 3,6% na comparação anual, e Logan situou o PCE núcleo em 3,1%. O crescimento foi de 3,4% anualizado no terceiro trimestre. Uma economia forte e uma inflação bem acima de 2% são exatamente as condições em que uma "última alta" vira mais uma.
Há ainda um problema que o Fed não resolve com decisões de juros. Uma análise do bankingnews.gr argumenta que o diesel atingiu um recorde de US$ 6,53 por galão na semana de 21 de setembro, em meio a interrupções em rotas marítimas importantes. Trataríamos essa abordagem como a tese de um comentarista, não como fato consumado. Mas a lógica de fundo é sólida: se a inflação vem da oferta de energia e não do crédito barato, juros mais altos são uma ferramenta pouco precisa. É um argumento para o Fed permanecer duro por mais tempo, não para relaxar mais cedo.
Quem poupa deve se preparar para uma longa espera com juros altos, não para um retorno rápido ao dinheiro barato
Qualquer que seja o número exato de altas, a mensagem prática é a mesma: na nossa avaliação, um afrouxamento rápido não está em jogo. A taxa básica está perto de 4%, o rendimento do Treasury de 10 anos estava perto de 5% após a decisão, e chegou a um pico de 5,31% em 5 de outubro. O de dois anos estava em 4,56%. Esses níveis não parecem os de um mercado que espera cortes em breve.
Para quem poupa, vemos três implicações. Nenhuma é recomendação pessoal, e regras e produtos variam de país para país, então confira o que vale onde você mora.
Primeiro, não monte um orçamento contando com queda rápida do rendimento do dinheiro parado. Segundo, se você tem dívida com juros variáveis, parta do princípio de que o custo continuará elevado pelo menos nas próximas reuniões, em vez de torcer para que uma alta em dezembro seja a última. Terceiro, resista à tentação de tratar qualquer previsão isolada como garantia. Previsões são insumos; o próprio comitê do Fed continua dividido.
Fique de olho em duas coisas, não em vinte
Os dias 8 e 9 de dezembro são o teste, mas o que conta é a segunda metade do sinal. Uma alta, sozinha, já está em grande parte precificada. O que mexeria com a tese do platô é se o Fed sinalizar que vem um segundo aumento. Se o comunicado e a entrevista coletiva caminharem nessa direção, o caminho de Logan está vencendo e o "platô" vira uma escada. Se os dirigentes enfatizarem a espera por mais dados, como fez o comunicado de outubro ao dizer que mais informações ajudariam a determinar a postura adequada, o campo do platô ganha terreno.
A outra coisa a observar é o próximo dado de inflação. O Fed está há quase seis anos sem cumprir sua meta de 2%, segundo Logan, que chamou isso de "inaceitável". A paciência está em falta.
Nosso veredicto: planeje-se para mais uma alta e uma longa permanência em juros altos, mas guarde margem para uma segunda alta. Quem se sente confortável com juros de 4% mais um ou dois quartos de ponto está preparado para o platô. Quem precisa que o ciclo termine em dezembro depende de uma aposta que o próprio Fed não fez.
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